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Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

03.12.19

Gostas mais do pai ou da mãe?

Gosto de gente com um Coração Gigante

Maresia
Desde que criança que me intriga perguntarem-me se gosto mais deste ou daquele, se esta pessoa é mais ou menos, se tenho este ou aquele preferido. E tal como nunca tive só e apenas uma cor preferida, uma música preferida, um filme preferido, um livro preferido, pois cada coisa tem o seu contexto, o seu momento, a sua beleza, também não tenho pessoas preferidas. São algumas as que ocupam um lugar especial e não recorro a pódios. E quando fui mãe, ainda me chocou mais, questionarem (...)
02.12.19

Em mim

Maresia
Sou infinitude. Não me descortino o fim, perco-me em mim, num templo de sonhos, pensamentos, criações arreadas. Abstraio-me do mundo. No meu não há tempo, nem horas, nem mortes. Há dias que sou medieval, de vestido, couro e escaramuça, criança levada pela mão do avô, ou abraço da semana findada reinventado. Noutros, recrio beijos para darmos amanhã, alinhavo viagens, percorro as estradas que me esperam, morro nos meus braços. Que ventos me percorrem a toda a hora... Instant (...)
29.11.19

A Imperfeição do Amor, de Joaquim Mestre

Um Romance Imperfeito

Maresia
A Imperfeição do Amor é o segundo romance do autor Joaquim Mestre (1955-2009), que nos presenteou com uma escrita marcada pela originalidade e por uma ação labiríntica, que nos testa e nos encaminha a desfechos inusitados. Partindo de um mundo onírico, mergulhando numa bruma de presságios e fenómenos, nasce a nossa história e o nosso personagem principal, Quico Regueiro, numa zona portuária (...)
22.11.19

Embrulho de amor

Maresia
Os amores, gosto deles pendurados ao pescoço. Gosto dos braços entrelaçados, dos dedos na nuca, das cócegas na pele. Gosto destes embrulhos de pessoas. Pendura-te em mim... Eu penduro-me em ti... Que laço forte, o nosso. Até se sente cá dentro, no peito. Aperta bem, para não soltar, mas sem nó. Que o laço quer-se ajeitado de vez em quando... E ao desembrulhar há um toque de magia... Aí os olhos miram-se e brilham. Sabemos que haveremos de repetir o embrulho. O do nosso amor.  
21.11.19

Equação de 40.°

Parabéns!

Maresia
Chegaste! Já estava à tua espera nesta paragem dos 40. ⏳ O que se passou até aqui, o que vivemos, aquilo a que sobrevivemos, desde crianças, não mais voltará. Não mais correremos nos corredores da Marquesa, não mais abancaremos nas pulgas, não mais seremos os adolescentes, não mais beberemos aqueles copos, não mais beijaremos aqueles amores, não mais desafiaremos o perigo. Não mais serás o puto da bola, o futebolista do Estoril, o estudante universitário, o novato da (...)
18.11.19

Pela mão da minha Mãe

Viagem no tempo à Aldeia

Maresia
Hoje, a minha mãe levou-me pela mão a passear na sua aldeia natal da Trindade, em Beja. Corriam os finais dos anos 50...por aí... Percorremos as ruas, espreitámos postigos e relembrámos rostos da sua infância. Na Travessa dos Mestres, visitámos a Avó Helena, que estava a fazer alguidares de massa e a fritar filhoses, já o Avô Helena bracejava de forma ágil no seu ofício e dizia à minha mãe, que de tanto o ver fazer, qualquer dia também ela faria sapatos. Na oficina da (...)
13.11.19

Quando o tempo para

Vale pelo amor

Maresia
O amor tem destas coisas. E sem pensamentos, sem julgamentos, sem amanhã, sem saberem como, beijaram-se, abraçaram-se, amaram-se. O tempo parou. Os beijos mordidos, o respirar, a loucura do sentir, de dentro para fora. Elevaram-se ao amor, saquearam-se ali mesmo, despidos de tudo e cheios de si mesmos. Tatearam-se numa descoberta de um mundo que já era deles, num toque vibrante, assolador, de dedos, de pele, de corpos que se copulam para gerarem energias. Enrolados como plantas, (...)
12.11.19

A infinita capacidade de amar

Perante mim me confesso

Maresia
Vamos fingir que estamos todos felizes, impecáveis nas nossas roupas individuais e familiares, retas, sem vincos de imoralidade. Preza-te pela honra, rege-te pelos olhos dos outros e verás onde isso te leva... Quantos não passaram por este mundo presos a grilhões de regras sociais e de pesos de consciência, advindos de séculos de palavra de Deus, escrita por homens pecadores como todos os outros? Quantos não viveram fechados no seu silêncio, em submissão e opressão, debaixo de (...)
18.10.19

Enraizado

in Somos Mais do que Histórias - Desabafos de Amor, Cordel d´Prata

Maresia
Olhei-te sem te ver. Senti-te em mim. O teu esboço gravou-se na minha tela, Que espreito e me espreita aqui e ali. És árvore que abracei, na qual me sento. Respiro, gozo a sombra e a luz, Mas que não ouso subir, com receio, Do deslumbre da tua copa, do mundo que vislumbras no topo. Desejo percorrer-me em ti, Ser raiz que te prende em mim, Mas não ouso. Assim, vou aperfeiçoando o teu retrato, Enamorando-me pelos teus traços, Criando momentos imaginados, Em que te percorro, te cheiro. (...)
13.10.19

Quando o coração dispara...

Maresia
Recebeste-me nos teus braços, Nos teu barco, nas tuas marés. Ondulámos ao ritmo da pulsação... Entrelaçados numa dança, Acelarámos ao bater do coração... Mão na mão, Pele na pele, Boca na boca, Olho no olho, Alma na alma... Atracámos juntos, seguros, Exaustos, felizes. Sorrimos. Sorriste-me, sorri-te. E sorriremos sempre... À memória daquela viagem. Arrepiados, estremecidos. Pelo bom, pela saudade, Para sempre...
11.10.19

Acreditar

Sempre

Maresia
Quero acreditar que na falta do teu beijo, Sempre arranjas maneira de me fazer sorrir. Quero acreditar que na falta do teu abraço, Sempre arranjas maneira de me iluminar no escuro. Quero acreditar que na falta de me agarrares a mão, Sempre arranjas maneira de me salvar da queda. Quero acreditar que na falta da tua força, Sempre arranjas maneira de me dar coragem. Queremos acreditar que sim.  
02.10.19

Breviário das Almas

Um Conto de Mestre

Maresia
Joaquim Mestre escreveu "Breviário das Almas", um título que me chega pelas mãos da sua aldeia natal, Trindade, concelho de Beja. Conto vencedor do Prémio Manuel da Fonseca 2008. De leitura breve, mas intensa. De se perder o fio à meada, este breviário de vidas, de amores, de desfechos intensos. Fantasticamente perturbador, que no seu finalmente nos sorri e conforta. Conto que nos remexe, nos (...)