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Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

21.01.20

No meu caminho


Maresia

Entrei pelo nevoeiro,
Acompanhei as ondas,
Segui as nuvens...
Pisei estrada,
Pisei pedras,
Pisei areia,
Pisei gravilha
Pisei folhas,
Pisei lama,
Pisei um mundo cheio.
Carreguei o peso,
Carreguei o medo,
Carreguei a solidão,
Carreguei a força,
Carreguei o sonho,
Carreguei a coragem,
Carreguei o meu mundo inteiro.
No meu caminho...

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07.01.20

Manifesto de Saudade


Maresia

Hoje farias 102 anos...imagina, lá!! E como já levamos 40 de amor, hoje, a tua reguila vai ousar tratar-te por tu. É um argumento carinhoso e tu dizias que eu tinha um argumento para tudo 😘

Foste mais que um amigo, mais que um avô, foste o meu querido Pai Manel, que na ausência do meu Pai João, me levou pela mão em longos passeios, me acarinhou, me ensinou a pedir desejos à estrela mais brilhante (que agora és tu, por certo) e me mostrou que o amor que damos genuinamente a alguém, cabe nas coisas mais simples.
As flores que apanhava contigo no caminho para casa, quase sempre junto à Praça de Espanha, são até hoje as mais belas, as com o cheiro mais doce, aquelas que guardava nos meus livros e diários.
Ouvias a minha tagarelice sem reclamar, deixavas-me pôr mais som no rádio da cozinha e na televisão da sala para eu dançar. E foi em cima dos teus pés, segura pelas tuas mãos, que me mostraste como dançavas nos bailes da tua aldeia. Eras uma criança feliz como eu.
Adorava sentar-me ao teu lado a fazer as contas do táxi e de despertar às 4h da manhã, quando largavas o serviço, e beber chá quente contigo.
Adorava ouvir a tua História de Portugal, que sabias na ponta da língua, dinastias e lendas, e claro, a de D. Pedro e de D. Inês era a mais pedida. E lembro-me como se fosse hoje, a aula de Português, na qual a professora deu o Episódio da Inês de Castro, da minha epopeia Os Lusíadas, e o meu pensamento gritou "É a história do Pai Manel"...quis te contar o meu espanto e encanto, mas tu já não me podias responder, deitado naquela malfadada cama. Deite-te muitos beijinhos e disse-te em silêncio "O Camões disse o mesmo que tu daqueles cruéis assassinos."

E são tantas as histórias e momentos que partilhámos...a vida separou-nos cedo, mas nós aproveitámos da melhor maneira.

Hoje, para comemorar os 102 anos do teu nascimento (não é, mas é uma coincidência linda), estou prestes a navegar no Rio Minho, para conquistar a Galiza e o Reino de Leão (também não 😉)... estou a ir conquistar a minha felicidade, a paz entre o meu Reino do Amor e dos Sonhos.

E aqui fica um pequeno manifesto de saudade e de amor eterno por ti, por si!

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