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Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

25.06.20

Aos Deuses, eu clamo!


Maresia

Aos Deuses,
Clamo por força e vida!
Que meu corpo seja Templo...
Um frontão à paz e ao amor.
O meu sangue, paixão.
O meu sorriso, gratidão.
Os meus olhos, verdade.
Que minha alma seja pórtico...
Guardiã de luz e energia.
Cada coluna, um sentir.
Cada capitel, um saber.
Cada pedra, uma palavra.
Aos Deuses, eu clamo!

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18.06.20

Do nada...

vale viver


Maresia

Do nada...a vida te surpreende...
O mundo gira, acerta os ponteiros.
Ficas sem chão, em queda livre...
Acordas para a realidade.
Os teus poros transpiram os teus medos,
O teu peito acelera as emoções,
A tua alma acende-se.
É hora de tomar o pulso ao destino...
A vida não é feita de enganos...
Tudo são lições...abanões.
Faz valer cada dia... cada momento...
Acredita, amanhã será uma nova oportunidade.
E que, quem sabe, um dia, naquele...
Saberás que tudo valeu a pena.
Valeu!

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07.06.20

À tona


Maresia

Num espelho de água,
Mergulho em mim.
Olho-me no fundo dos meus olhos.
Fito-me, miro-me, sinto-me.
Viro-me do avesso.
Despida...
Sinto a terra nos pés, real.
Sinto o vento na pele, frio.
Sinto a dor no peito, sofrida.
Morro um pouco, choro.
Abraço o silêncio, o vazio.
Venho à tona...
Imagino o sonho,
Pinto-o de amor,
Perfumo-o de prazer.
Solto o poema, do âmago.
Apago as luzes,
Acendo as estrelas,
Danço sorrisos,
Rodopio segredos,
E caio desamparada, zonza.
Estupidamente, feliz e só.

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05.06.20

O Meu Caminho

De novo no Caminho de Santiago...pela escrita e com o coração


Maresia

Um dia, descobri o Caminho de Santiago. Espreitei-o, sorri-lhe e guardei-o num cantinho de mim como algo inspirador. Anos mais tarde, redescobri-o ou melhor, ele foi-me espreitando, sussurrando, aqui e ali, e um dia, percebi que era este o desafio, o alento, o sonho mais breve que eu queria, que eu precisava desesperadamente de concretizar. Eu, só eu e o Meu Caminho. E assim, respirei fundo, acrescentei uns quilómetros às minhas caminhadas diárias e em poucas semanas delineei o meu rumo, o meu mapa. A primeira escolha, sem hesitações, recaiu no Caminho Português da Costa… se algo havia a acrescentar ao meu deslumbramento pela estrada, o trilho, o verde, o bosque, a floresta, seria o mar, o meu mar. O ar puro é inspirador, mas se lhe juntarmos a maresia e a mais bela banda sonora de Neptuno, de ninfas e marinheiros, somos levados por ventos favoráveis.

O ponto de partida, Caminha, eu e o meu coração português a velejar rumo à Galiza, para conquistar os meus sonhos e me deslumbrar com um mundo novo. A Guarda e Mougás, as primeiras conquistas, provas de fogo, ao sabor do vento e das ondas. E assim, perfumada e salgada alcançaria, Nigrán, Vigo e Redondela. Aí, seguindo a Estrela Polar por veredas, bosques, pontes e estradas romanas, a chegada a Santiago de Compostela e um reencontro marcado comigo mesma. As pernas a pesarem, todo o corpo um queixume, mas o coração a palpitar, os olhos a brilhar de luz e lágrimas, um chorar a sorrir pelo fim, mas também, por um novo recomeço. A pessoa que ali chega não é certamente a mesma que sonhou um dia fazer o Caminho de Santiago. E assim foi.

Dez dias, dez etapas, dez desafios, dez conquistas, dez dias de ouro para rechearem este tesouro, que é a Vida.

E assim, vou rabiscando e tecendo uma manta de memórias, sonhando que um dia se tornem páginas de um livro, com cheiro a papel, pinhal, terra molhada e maresia.

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04.06.20

Ser Mulher

Que brava!


Maresia

Não quero ser Rainha…

Nem bela, forte e imponente Princesa,

Cercada, murada e segura.

A bramir honras, a rezar por boas novas,

Votos seculares, guardiões de dignidade.

Que brava! Assim, tão sobrevivente a tudo…

Afinal…

Sobrevive, sempre, quem não sai do lugar.

Quero ser Mulher…

Quer ser crua, guerreira e poetisa…

Livre, pensante e corajosa.

A afirmar valores, feitos e conquistas,

Valores verdadeiros, panteões de humanidade.

Que brava! Assim, vivendo tudo a cada dia…

No final…

Vive, sempre, quem muda de lugar.

 

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01.06.20

Se me visses agora...

À criança que fui e sou...


Maresia

Se me visses agora,
Olhos nos olhos,
Se me sorrisses,
Certamente, correrias para os meus braços.
Que saudades eu tenho de ti!
E daqueles que então podias beijar.
Não segui a estrada dos teus sonhos,
Afinal, nem sempre encontrei campos verdejantes, nem pude visitar todos os castelos.
Deixei-me encantar pelas quedas de água, pelas arribas, corri a olhar o nosso céu estrelado...
E caí, caí muitas vezes. Levantei-me outras tantas.
Os nossos longos dias foram-se encurtando...fugiram-me entre os dedos.
Mas sonhei, sonhei sempre.
E escrevi, escrevi sempre...
(A mãe diz que tenho tudo escrito)
Sabes, contigo descobri que escrever é trazer os sonhos para a nossa realidade. É tocar-lhes de mansinho e sentir-lhes o cheiro.
E cantei e dancei, tal como naquele varandim do 3.°andar.
Se me visses agora, nem acreditarias, nem quando te visses nos olhos dos meus três seres mágicos.
Sim, a magia existe e eu sou feiticeira.
Só tens de acreditar...
Mas agora, tudo é mais sério, não sou a dona do nosso mundo, ele muda quando quer e dói quando me vai roubando ao coração.
Mas ainda tenho em mim a tua vontade de viver e de descobrir o mundo.
Quarenta anos passaram, já imaginaste??
Se me visses, estranharias as marcas do tempo e das quedas.
Dir-te-ia que fizesses diferente,
que nem todos descortinam a tua transparência,
que desses aquele abraço que eu não dei, que sorrisses sempre e dir-te-ia que o amor e os afetos são o maior tesouro deste mundo.

IMG_20200601_190020_984.jpgAqui, criança, eu, literalmente, no tal varandim do 3.° andar.