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Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

28.06.17

Ao meu Adamastor


Maresia

Hoje seria o teu aniversário. Mais um, dos tantos que não partilhámos. E partilhámos tão pouco...e ainda que vivêssemos 100 anos, seria sempre pouco. É sempre pouco...
De ti guardo a figura, a mão enorme. O meu Adamastor. Figura enorme e imponente, com ameaças de trovoada, mas com um coração enorme, como tu.
Contigo aprendi muito (de tão pouco). A mais dura das lições foi que se morre do nada, aos 33 anos, numa estrada vazia. Sem mais, nem menos. A viver sempre com receio, pois o jogo é aleatório.
Aprendi que um aceno do outro lado da rua, pode ser a despedida. Ao aceno junto sempre um sorriso e disparos de ternura. Aos que mais amo, desejo sempre estreitar no peito (vão lá eles entender porquê, se não demoram).
Aprendi que a minha balança terá sempre dois pratos. Para o bem e para o mal. E nunca o mal que alguém me faça, apagará o bem que me fez. Sou o resultado de tudo, dos abraços e dos amassos. As quedas fizeram levantar-me mais forte e a ganhar mais equilíbrio. E mais tarde percebi que o meu maior trambolhão foi aos nove, que foi difícil reequilibrar, mas que tinha mais braços aos quais me agarrar e que se tinha amor, estava bem.
Contigo aprendi a magia das coisas. Que o Vitinho nascia na ponta de um lápis, que Era uma vez a vida eram os desenhos animados mais geniais de sempre, que o Pai Natal existe e na prenda mais simples, cabe o maior espanto de criança, que um corte de cabelo errado, não é o fim do mundo (😉), e que teríamos de ter muitas vidas paralelas, para viver tudo aquilo que desejamos.

Pai_2017-06-28.jpg 

Guardei o espírito de criança, do homem enorme que eras. Nas memórias mais simples, guardei o amor. O nosso. Pai.

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