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Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

Palavras de Areia

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã.

03.12.19

Gostas mais do pai ou da mãe?

Gosto de gente com um Coração Gigante


Maresia

Desde que criança que me intriga perguntarem-me se gosto mais deste ou daquele, se esta pessoa é mais ou menos, se tenho este ou aquele preferido. E tal como nunca tive só e apenas uma cor preferida, uma música preferida, um filme preferido, um livro preferido, pois cada coisa tem o seu contexto, o seu momento, a sua beleza, também não tenho pessoas preferidas. São algumas as que ocupam um lugar especial e não recorro a pódios. E quando fui mãe, ainda me chocou mais, questionarem os meus filhos se gostam mais do pai ou da mãe, desta ou daquela avó, como se eles fossem obrigados a tomar uma decisão. 
Não existem os melhores e, tal como direi sempre aos meus três rapazes, o nosso coração não tem limite para amar. Nele cabem infinitas pessoas e não temos que escolher umas para amar mais, nem tirar umas para entrarem outras. Nele cabem todos os nossos filhos, amores, amigos, pais, padrastos, avós, tios, primos, amigos,...são tantos os que podemos amar e guardar no peito!
Na vida, por vezes, estaremos mais perto de uns e, por outras, mais perto de outros. Muitas vezes, não é o tempo, nem a proximidade que fazem o sentimento ser mais forte...é por isso, que temos estas caixinhas mágicas, o Coração e o Cérebro, para guardarmos o sentimento e as memórias.
Na minha vida, a minha balança terá sempre dois pratos. E nunca o mal que alguém me faça, apagará o bem que me fez. Não condeno ninguém, pois também não gosto que me condenem a mim. E tantas vezes, estando nós a fazer o bem por nós próprios e por uns, estamos a magoar outros ou a ir contra as suas opiniões e princípios. Cada um com o seu sentir, com o dom de fazer o seu próprio caminho.
Tendemos em julgar os outros...é bem mais fácil condenar o outro do que ver e aceitar as próprias falhas...Tendemos a culpar os outros pelos nossos problemas...sem refletir naquilo que fizemos ou deixámos de fazer para que tal não acontecesse... Tendemos a esperar do outro sempre o bem e as atitudes para nós mais certas...quando neste mundo, nunca alguém estará sempre bem aos nossos olhos.
Mas a vida é um instante para se viver, não para se julgar. E devemos dizer aos nossos filhos que não é por se zangarem com um amigo que se apaga os bons momentos que viveram, que não é por terminarem um namoro ou relação, que têm de condenar a pessoa para que esta passe a ser a pior do mundo, que não é porque o professor ou colega de trabalho lhe falou torto hoje, que deve esquecer o que lhe ensinou e os dias em que lhe sorriu. Isso é anularmo-nos a nós próprios e àquilo que vivemos. É como se déssemos como perdidos horas, dias, mesmo anos, das nossas vidas. Aqueles que partilhámos com seres humanos, que agora, até podem já não estar por aqui, mas que fizeram a diferença e foram o nosso mundo em determinado momento.
Espero que muitos se identiquem com este desabafo e espero que alguns, daqueles que embora sem lugares no pódio, guardo em mim com um carinho especial, entendam que esta vida é uma viagem e eu tenho a oportunidade de escolher se a farei ansiosa e armagurada a julgar as condições e o serviço de carruagem, ou se espeto o nariz à janela e me deixo deslumbrar e acariciar pelas coisas boas que o mundo tem para me dar.

Com amor.

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