Perdida
Cai sobre mim um nevoeiro,
Entorpece os sentidos.
Aglutina a alma,
Espicaça o corpo.
Na sombra, desfoco a realidade.
Já não a sinto minha,
Em minhas mãos, no meu toque.
Voei daí para aqui,
Vejo-me de fora, aérea.
Planando sobre os meus dias,
Perdida nas minhas horas.
Não antevejo, não sei.
Perdida num limbo,
Entorpecida pela dor, sem sentido.
Envolta de escuridão, de amor,
Que já nem sinto meu.
Alma una, solitária,
Estendo minhas mãos vazias.
Devolvo abraços de mágoa.
As minhas palavras, espinhos,
Ingratas, de olhar perdido.