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Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

21.02.21

A porta

Maresia
Sentada no espaço vazio, na sua reconfortante cadeira de braços, esperava... a porta encostada, convidava uma brisa fresca de esperança a entrar, um fio de ouro e luz iluminava o dia e o sonho. O silêncio apenas era cortado por alarmes falsos de passos e vozes roucas que seguiam o seu destino. Esperou. O sonho fez-lhe companhia quase até ao fim. Mas depois... depois veio o inverno. A brisa revoltada, tornou-se inquieta, gelada e cortava-a na pele. Adoeceu. Os dias escureceram, o sol (...)
31.01.21

Conto d'Amor

As últimas badaladas

Maresia
A igreja anunciava as findas horas da noite. Há 30 anos que assim era. As badaladas a soarem como a voz de uma mãe que anuncia que é tempo de levantar e hora do descanso. Em casa, os seus dias eram ritmados por elas, sem nunca perderem o fio ao tempo ou então, como acontecia nos domingos preguiçosos, despertavam para a demora nos lençóis, quando enroscados um no outro contavam em uníssono silêncio as batidas no ferro, para descobrirem que tardaram no ninho, no amor. Artur e Inês, (...)
24.12.19

Ho!Ho!Ho! Feliz Natal!!!

Maresia
Já neva, o vento uiva baixinho, raios de sol rasgam o céu, por entre tufos de algodão. Entusiasmado, enfia as suas botas pretas, brilhantes de graxa, envolve-se no seu grande manto púrpura, não esquece o seu velho gorro de malha, tão seu como as suas longas barbas grisalhas, e apruma-se com o seu bem pesado saco de pele e cajado, a não largar nestes dias de manto branco, de tanto a fazer. E parte. A respiração não tarda em ficar ofegante e as pernas refilam perante o seu peso (...)
03.09.19

Contos d'amor

Silêncios

Maresia
A rua estava escura, silenciosa, como se o tempo tivesse parado. Achava-se sozinha, com as lágrimas a correrem-lhe pelo rosto, as mãos cerradas e os olhos postos no imenso céu estrelado, quando sentiu que alguém se aproximara. Arrepiou-se, hesitou em girar o corpo, envergonhada pelo choro, sem saber como disfarçar. O vulto avançou e colocou-se a sorrir à sua frente. Mantiveram-se em silêncio, naquilo que pareceu uma eternidade, até que se soltou um olá rouco, se esboçou um (...)