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Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

14.11.21

Amar de cor

Maresia
Escolhem-te pela capa, Usam-te por vaidade, Lêem-te por interesse, Arrancam de ti o que querem, Rasgam páginas e páginas Silenciando a tua essência, Mascarando narcisos e centopeias. Há que reaprender com a alma, Interpretar com o coração, E esperar que te leiam inteira, Nas linhas e entrelinhas. Livro que se guarda na cabeceira do peito E se redescobre a cada madrugada Sabendo-o de cor e de amor.  
31.10.21

Pauta

Maresia
Na pauta da minha vida, Ritmos e notas da alma, Guiada pelo sol, melodia, Cantando a minha canção. Dançando de sorriso ao peito, Trauteando sonhos, ternuras, Escrevo a letra, alegoria, Compondo cada refrão. Soam sonoridades de espanto, Falsetes de dor e paixão, No corpo, acordes, bateria, Tocando ao meu coração. Imagem/colar : www.saluca.pt
17.10.21

Voa

Maresia
Os céus iluminam-se para te ver voar, vestem-se das mais belas cores. Inusitadas telas encantadas, que nos sorriem magicamente. Abre as asas. Canta, encanta de liberdade o teu voo. Livre, leve, infinito. Ruma ao horizonte.  
23.08.21

Pequena Elegia chamada Domingo

Eugénio de Andrade

Maresia
O domingo era uma coisa pequena. Uma coisa tão pequena que cabia inteirinha nos teus olhos. Nas tuas mãos estavam os montes e os rios e as nuvens. Mas as rosas, as rosas estavam na tua boca. Hoje os montes e os rios e as nuvens não vêm nas tuas mãos. (Se ao menos elas viessem sem montes e sem nuvens e sem rios...) O domingo está apenas nos meus olhos e é grande. Os montes estão distantes e ocultam os rios e as nuvens e as rosas.
05.07.21

Ao poeta

Maresia
Sem me amares, Aprendeste a ler-me, Numa métrica acertada Ao bater do meu coração. Despiste-me com os teus versos, Leste as metáforas da minha alma. E é em teu poema espelhado, Que deito meu corpo inerte, Que iludo as noites, E que escrevo a cada aurora, Com uma coragem sombria, Cada letra da palavra saudade, Sabendo nas entrelinhas, Que soletrei a despedida. Reading woman, Laura Lacambra Shubert
28.03.21

Nas asas da vida

Maresia
Abre as asas, voa! Corta o vento, os céus, Rumo ao horizonte... Abraça este mundo, Avista toda a beleza Na leveza livre do teu voo. Abre as asas, sonha! Encara o sol, as nuvens, Desafia a penumbra... Canta, encanta, a natureza, Plana alado ao infinito No instinto livre do teu voo. Abre as asas, vive!  
23.01.21

Liberdade

Miguel Torga

Maresia
— Liberdade, que estais no céu... Rezava o padre-nosso que sabia, A pedir-te, humildemente, O pio de cada dia. Mas a tua bondade omnipotente Nem me ouvia. — Liberdade, que estais na terra... E a minha voz crescia De emoção. Mas um silêncio triste sepultava A fé que ressumava Da oração. Até que um dia, corajosamente, Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado, Saborear, enfim, O pão da minha fome. — Liberdade, que estais em mim, Santificado seja o vosso nome.    Miguel (...)
09.01.21

Medusa de mim

Maresia
Nas ondas dos meus cabelos, Vivem meus sonhos, clamores. Nelas perco o pensamento, Enleio fantasias, quentes desejos, Escondo tontos sorrisos, trejeitos. E teço minhas tranças de histórias. Nas ondas dos meus cabelos, Repousam meus segredos, anseios. Delas penteio a tristeza, Desembaraço os nós da minha dor, Enfeito-as, fios de cor, fitas de amor. E enlaço meus poemas, só meus.  
07.01.21

Perdida

Maresia
Cai sobre mim um nevoeiro, Entorpece os sentidos. Aglutina a alma, Espicaça o corpo. Na sombra, desfoco a realidade. Já não a sinto minha, Em minhas mãos, no meu toque. Voei daí para aqui, Vejo-me de fora, aérea. Planando sobre os meus dias, Perdida nas minhas horas. Não antevejo, não sei. Perdida num limbo, Entorpecida pela dor, sem sentido. Envolta de escuridão, de amor, Que já nem sinto meu. Alma una, solitária, Estendo minhas mãos vazias. Devolvo abraços de mágoa. As (...)
18.12.20

Natal, e não Dezembro, David Mourão-Ferreira

Um Feliz Natal, de mãos dadas.

Maresia
Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. Das (...)
10.12.20

Forteleveza

Maresia
Erguerei as muralhas, Memória sobre memória, Conquista sobre conquista, Sonho sobre sonho. Nelas encerrarei meu tempo, Meu ser, meu crer. Elevarei aos céus na minha torre, Soprarei ao vento os meus segredos. Guardarei meu sangue, Minha fortuna de sentires, Meus passos, marcados nas pedras. Fechar-me-ei, escudada... Perto do firmamento, assente na terra, Perdida em mim, no horizonte sem fim.  
05.12.20

Pela Vida

Maresia
Há portas que se fecham Para nos trancarem cá fora, Para nos arejarem. É tempo de renovar, De descobrir novos caminhos, De procurar outras entradas e saídas, De termos a coragem de rodar a chave de outros mundos, De esventrar do corpo a força, da alma a coragem, De sentir a destreza e luz que nos invadem. Hora de rebentar cadeados, soltar ferrolhos e correntes, Para que possamos ver o mundo, Para que ele nos veja... É tempo de renascer, De abrir outras portas, De soarem os sons de (...)
17.11.20

O Bem e o Monstro

Maresia
Amo-te. Mas tu és horrível! Fiz tudo. Mas tu és o absurdo! O que tu queres.. É ridículo! Nunca falho. Mas tu és destruição. As minhas fúrias. Culpa tua! Tua, monstro de ingratidão! Que o meu amor tudo fez para salvar. Eu, avisei-te. Mas tu não foste o que eu quis. A tua aberração mutante... Que o meu bem não purificou. Monstro, eu amo-te. Mas só a tua morte exorcirá A minha tristeza e desilusão. Nem monstro, nem nada. Não serás nada! Queres ficar só? Serás só e pó!  
26.10.20

À criança que fomos...

Maresia
À criança que fomos... A quem prometemos o Sonho e o Espanto. À criança que fechámos em nós, No cantinho da Alma. É ela que nos guarda a Magia. É ela o sorriso e a gargalhada. É ela que descalça, de olhar brilhante, caminha destemida. É ela que nos guarda a pureza, infinita Vida de possibilidades... Vamos buscá-la! Ela sabia o queria.