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Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

Palavras de Areia ®

Partilha de sentires, emoções, aferições, estados de alma e coisas banais. Pequenas histórias de ontem, de hoje e que se sonham para o amanhã. Poemas meus e desabafos de amor e de vida.

23.08.21

Pequena Elegia chamada Domingo

Eugénio de Andrade

Maresia
O domingo era uma coisa pequena. Uma coisa tão pequena que cabia inteirinha nos teus olhos. Nas tuas mãos estavam os montes e os rios e as nuvens. Mas as rosas, as rosas estavam na tua boca. Hoje os montes e os rios e as nuvens não vêm nas tuas mãos. (Se ao menos elas viessem sem montes e sem nuvens e sem rios...) O domingo está apenas nos meus olhos e é grande. Os montes estão distantes e ocultam os rios e as nuvens e as rosas.
24.05.21

Amanhã

Maresia
Na calmaria da paisagem, Tomado o vento por companhia, O mar por confidente, Escuto os sussurros suspeitos. O amanhã levantará uma ventania, Meus segredos cantados quebrarão Ondulados, revoltos, chapados Nas rochas indomáveis e frias. Mas amanhã, levada esta calma Debaixo do peito, adormecida nos poros, Estarei longe num quebranto sossego. Amanhã, quando a tempestade gritar Por mim, vazia de mim, Eu, já não estarei aqui. Pintura, Monika Luniak
28.03.21

Ao mar

Maresia
Nos meus passos descalços, molhados, Vestida de frescura, maresia, Desafio as tuas ondas, quebradas, Inspiro o teu cheiro, bravura, No abismo dos pensamentos, mergulho, Danço a tua música, ritmada, Viola de cordas de água, encantada. Enamorada de ti, sou praia, Vieira do mar, nas tuas marés, Movimento o meu mundo, salgado, Ondulo nas vagas, esquecida... E marejada, avanço pelas águas, Tocada pela espuma, macia, Dissolvida no azul, esverdeado, E meu corpo a ti, entrego. Aí, (...)
28.03.21

Ao mar

Maresia
Nos meus passos descalços, molhados, Vestida de frescura, maresia, Desafio as tuas ondas, quebradas, Inspiro o teu cheiro, bravura, No abismo dos pensamentos, mergulho, Danço a tua música, ritmada, Viola de cordas de água, encantada. Enamorada de ti, sou praia, Vieira do mar, nas tuas marés, Movimento o meu mundo, salgado, Ondulo nas vagas, esquecida... E marejada, avanço pelas águas, Tocada pela espuma, macia, Dissolvida no azul, esverdeado, E meu corpo a ti, entrego. Aí, (...)
28.03.21

Nas asas da vida

Maresia
Abre as asas, voa! Corta o vento, os céus, Rumo ao horizonte... Abraça este mundo, Avista toda a beleza Na leveza livre do teu voo. Abre as asas, sonha! Encara o sol, as nuvens, Desafia a penumbra... Canta, encanta, a natureza, Plana alado ao infinito No instinto livre do teu voo. Abre as asas, vive!  
16.02.21

Inspiração Profunda

Maresia
Assim vou arejando a minha cela abafada, Abrindo as portadas... Com versos de brisa e luz. Inspirando profundamente as paisagens, Ritmadas pelo pulsar do coração. E aqueles sonhos que se vislumbram no horizonte... Serão salvos. Serão aguarelas na tela da minha janela, Serão sempre poesia a espreitar. A próxima imagem, A próxima rima, A próxima estrofe, A próxima inspiração... Profunda.  
23.01.21

Liberdade

Miguel Torga

Maresia
— Liberdade, que estais no céu... Rezava o padre-nosso que sabia, A pedir-te, humildemente, O pio de cada dia. Mas a tua bondade omnipotente Nem me ouvia. — Liberdade, que estais na terra... E a minha voz crescia De emoção. Mas um silêncio triste sepultava A fé que ressumava Da oração. Até que um dia, corajosamente, Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado, Saborear, enfim, O pão da minha fome. — Liberdade, que estais em mim, Santificado seja o vosso nome.    Miguel (...)
18.01.21

Na dança do vento

Maresia
Sentada no tear da vida, Teci meu pano, fiado com sorrisos. De algodão branco de paz. Debruei-o com fios de ouro, De sonhos azuis céu. Bordei meu nome a verde esperança, Meu coração vermelho sangue. Lenço de amor, guardado ao peito, Enxuga minhas lágrimas, Dançando, esvoaça-as ao vento, E leva com elas os beijos, Que guardei em mim, Perdidos no tempo.    
12.01.21

Dream (in) a poem

Maresia
Our love… roller coaster. Hot, breezy, dusty, rainy… Slavery of your mood. You hunt my dreams, You rule my senses. Chained to your mouth Tasting like hot mango… Our kiss, an explosion, A fusion of flavours, desires. Profound feeling, Profound pleasure Delving into our souls, Heavily, deeply into our skin.    
09.01.21

Medusa de mim

Maresia
Nas ondas dos meus cabelos, Vivem meus sonhos, clamores. Nelas perco o pensamento, Enleio fantasias, quentes desejos, Escondo tontos sorrisos, trejeitos. E teço minhas tranças de histórias. Nas ondas dos meus cabelos, Repousam meus segredos, anseios. Delas penteio a tristeza, Desembaraço os nós da minha dor, Enfeito-as, fios de cor, fitas de amor. E enlaço meus poemas, só meus.  
31.12.20

Ano Novo Mágico...

Receita de Ano Novo, Carlos Drummond de Andrade

Maresia
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, voc (...)
18.12.20

Natal, e não Dezembro, David Mourão-Ferreira

Um Feliz Natal, de mãos dadas.

Maresia
Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. Das (...)
27.09.20

Quem sou eu

Poema de Francisco Vaz

Maresia
Nasci, Fui criança! Cresci, Sou adulto Cheio de esperança. Sou mistura... Mistura variada! Sou qualquer coisa, Qualquer coisa parecida Com um pouco de nada. Sou matéria... Pertenço à Natureza! Sou ilusão vivendo na incerteza, Se vim do Nada, Sou nada com certeza! Francisco Vaz  Neste domingo de sol e ventoso de esperança, partilho convosco um poema de um Amigo, Francisco Vaz, "Quem sou eu", a quem peço, desde já, desculpa pela ousadia, mas a quem agradeço desta forma as (...)
03.09.20

No corredor da Morte...

Há a Vida...

Maresia
No corredor da monotonia, Há portas e janelas a descobrir... Que só trancam e destrancam por dentro, de ti. Por umas, podes corajosamente fugir, Que o mundo é vasto, mas de raras oportunidades. Por outras, bem...disfruta um pouco, sorri até... Ampara a tua fraqueza no parapeito, Olha profundamente o lá fora, o distante... E fica seguro de que poderias ir... Só a Morte nos pode parar... E agora, escuta-te, olha de novo, no fundo do teu corredor. Segues em frente, passo a passo até ela... (...)
25.06.20

Aos Deuses, eu clamo!

Maresia
Aos Deuses, Clamo por força e vida! Que meu corpo seja Templo... Um frontão à paz e ao amor. O meu sangue, paixão. O meu sorriso, gratidão. Os meus olhos, verdade. Que minha alma seja pórtico... Guardiã de luz e energia. Cada coluna, um sentir. Cada capitel, um saber. Cada pedra, uma palavra. Aos Deuses, eu clamo!